domingo, 14 de julho de 2013

Crescer



Ele chegou habitando um  olhar diferente, acompanhado de palavras que saltitavam, aqui e ali, para contar sua história. 

Falava de seu entusiasmo ao perceber  o brilho de um  olhar de criança naquele que conquista o que almeja. 

Na cena de sua afetiva lembrança o outro estava sentado na escada  da casa,  a observar sua conquista, com um sorriso que contagiava o ar. 
Ia e vinha para tocar o presente, trocar de lugar e se convencer de que era seu!

Mas o que teria de tão especial uma cena corriqueira de quem se presenteia com algo muito desejado? 

Ao escutar a história encontro a beleza do tempo que movimenta a relação entre  filho e pai. Não era o pai que falava da alegria do filho,  mas o filho que observava no  pai a presença do  brilho da infância que faz do  sonho uma realidade. 

O atento olhar ao que  acontecia com o pai enunciava que o filho adolescente já  estava a movimentar-se na adultez que começava habitar sua própria vida. 
O necessário jogo de inversão,  entre  lugares e olhares, para crescermos guiados pela  descoberta de que  continuaremos a sonhar  e a brincar com o  presente que conquistamos.