domingo, 17 de março de 2013

Uma turma borbulhante




A semana segue dia após dia  e o tempo de parada escapa.
Tempo de olhar o vento tocar o corpo.
Tempo de escutar a tristeza da ilusão de  um amor.
Tempo de rir desta complicação que inventamos para dizer  "quero ser feliz".
Tempo de tempo!

Então,  ela decidiu que não esperaria o dia “certo”.
Aquele era o dia de esconder o tempo na companhia de uma espumante sem  a agenda do dia seguinte ou os ares do bafômetro!

E sentenciou às amigas: 
"quando a noite pousar,   o relógio marcará a hora de degustar  a bebida borbulhante, os sabores picantes e doces do que a geladeira guardou, e o ritmo das  vozes amigas ..."

Veio a chuva , o vento, a noite sem estrelas,  e elas!
 Chegaram com o riso das andanças  pela cidade misturado aos alegres sons musicais que as esperavam. Sem vacilar deliciaram  o tempo escondido e inauguraram a casa que se apresentava com  imagens de uma história de vida. As rolhas saltitavam  felizes com a magia de fazerem o ponteiro do tempo parar e os cristais aguardavam ansiosos pelo toque daquelas bocas excitadas.

Política; amores; trabalhos desejados; utopias vacilantes;  seduções; e tudo mais que lábios  femininos tão bem sabem musicar no embate da vida que não para. As falas se faziam de  histórias que diziam de um lugar amoroso. A amizade tocava a pele com ternura, fazendo dos  desalentos do amanhã um arrepio que passa. 

A leveza do encontro celebrou uma turma borbulhante.
 E tudo indica que as matrículas continuam abertas ...


quarta-feira, 13 de março de 2013

Uma turma imaginária.




O final de semana foi marcado pelo singular encontro com Milton Nascimento em Porto Alegre. Enquanto aguardava  o show  revisitava os sentidos que suas músicas embalaram nos sonhos juvenis. 

Quero falar de uma coisa... adivinha onde ela anda...

Lembrei da primeira casa que habitei e de como organizava uma turma imaginária para dar aulas com  um pouco de giz e um conteúdo  que minha memória deixou no tempo que passou.

A vida seguiu e a escolha pelo curso de psicologia aconteceu. Com certeza, entre as paredes da turma da  PUC, poucos imaginariam que eu me tornaria uma professora universitária.  Estudante dedicada, posicionada com a história política herdada de meus pais, mas falar para mais de cinco pessoas era algo pouco provável...

Não sei identificar em que momento essa virada aconteceu. Mas a sensação que retorna indica   que a vontade de ensinar era superada pela impiedosa  vontade de aprender que me acompanhava. Procurei alguns esconderijos, na tentativa que essa  vontade passasse desapercebida de minha existência. Não funcionou! A tal vontade estava atenta a qualquer  piscar de olhos que trouxesse o brilho de uma interrogação.

A experiência educativa foi sendo afirmada com estagiários de psicologia, educadores  populares,   colegas, e quando percebi a tal turma já não era imaginária. Passei a ter companhia permanente para aprender!


Em dias de despedida com a chegada da  formatura percebemos que uma história de aprendizagens prosseguirá nas trajetórias peculiares que cada um irá traçar... Aprenderam, aprendi, conjugamos o verbo aprender sem temer o destino de nossas diferentes posições, pois o compromisso foi o trabalho  que  nos convoca a fazer psicologia,  um fazer com o outro. 

Uma formação amiga que  ultrapassou os conteúdos prescritos, afinal como não falar de quem nos tornamos no processo de aprender psicologia?

A saudade  chega, mas  a memória está povoada de mais um grupo que faz da turma imaginária de minha infância um livro a ser consultado em qualquer tempo que a vontade desejar. Temos uma história para contar.