sábado, 14 de julho de 2012

"Terapia do Café": mais um!




Uma amiga anunciou: Porto Alegre tem um café novo para conhecermos!
"Caminhando pela Jerônimo de Ornelas quando  encontra  a Vieira de Castro. Na esquina, tem  uma pracinha. Não sei se ali ainda é o Bairro Bonfim ou  Santana. Aquela rua que dá em frente ao Hospital de Clínicas..."

Gostei da notícia, pois adoro cafés. Tanto o precioso líquido, como os lugares que vão sendo inventados na cidade  para degustar a companhia desta bebida. 
Então, fui!

Espaço com ares do fora, vidros grandes que deixam a  luz do dia  invadir. Cores que fazem bem, tecidos que vestem paredes e alegram o olhar.   Mesas com poltronas acolhedoras,    em posições  que permitem vaguear  com o que acontece na rua. Pequenas para ficar só com os próprios pensamentos e as tonalidades do café escolhido. Ou para ter a  companhia de uma boa conversa. Quem sabe aquela mesa grande, lembrando  a sensação  da numerosa  família italiana e a possibilidade de reunir amigos e amigos dos amigos. É  possível, também,   escolher uma  mesa externa,  com ares do sol ou da lua, sem excluir os amigos das fumaças :)


Cafés a escolher. 
Se alguma ideia ou uma vontade surgir é só comentar.
Tortas deliciosas  que ainda estou fazendo uma classificação.
Dia desses encontrei um bolo com gosto de "feito em casa" e delicioso aroma  de laranja.
Baden Cafés  Especiais  - Porto Alegre
Se a opção for o almoço, sanduíches para um bom apetite!

Alguns amigos perguntam por que fico a  divulgar os cafés.
Humm...tem interesse aí...
Ora, quando gosto desses lugares, quero  que permaneçam para que o roteiro de minha "terapia do café" seja assegurado.
E,  neste caso, é  pertinho de meu local de trabalho, portanto sou interesseira!!!


Enfim, deguste a dica  e os bons encontros de café na cidade. Com estes ares frios do inverno gaúcho, nada melhor que bebidas quentes e boas companhias.




Vela de Aniversário?




Entre dúvidas sobre o porquê da vela de aniversário, encontrei lendas e compartilho a “minha” história. Um modo de celebrar a  amizade com quem aniversaria.

Diz a lenda que apagar velas no dia de aniversário é coisa dos gregos. A deusa Artêmis,  representada pela Lua, era homenageada com um  bolo redondo coberto de velas acesas. Assim,  a deusa da caça deliciava uma doce lua cheia. Portanto, o bolo de aniversário é  a evolução de um preparado de mel e pão, no formato de uma lua, que os fiéis levavam ao famoso templo para homenagear sua Deusa.

O tempo levou o ritual para lugares outros,  contagiando os afetos de camponeses alemães com suas crianças. Agora a invenção tinha o toque infantil. Ao  raiar do dia  - sim,  tinha que ser cedo como um bom hábito alemão -    as velas eram acesas para acordar  a criança com a chegada do  bolo. E aí surgiram muitas variações,  como a de  apagar todas as velinhas de uma só vez, fazendo um pedido cuja realização depende de ser   mantido em segredo. Para outros,  deve ser colocada uma vela  a mais do que a idade comemorada,  indicando a luz da vida que segue.

Até aí, tudo pareceu delicioso,  neste ritual de celebrar a vida. Mas apagar velas dá uma sensação de apagar o tempo vivido... Então, encontramos  mais um detalhe que a imaginação que faz a vida cuidou: apagar as  velas tem por função  gerar a  fumaça que leva ao céu  as preces dos fiéis e os desejos da Deusa,  tornando-os estrelas.

Então, acenda velas em teu aniversário. Mais um ano? Muitos anos? Parabéns, estás enunciando   que mais vida foi experimentada. Apague as velas com a alegria  compartilhada daqueles que celebram contigo. Envie  ao  céu os desejos mais queridos, pois se tornam  estrelas a iluminar o caminho que acolhe os feitos de tua vida. 

sábado, 7 de julho de 2012

Amiga das mãos




Pequenos  dilemas do cotidiano feminino:

Unhas pintadas.
Perfeitas.
E um pedacinho de esmalte resolve fazer festa em outro lugar.

Semana após semana para ter unhas longas.
E, simplesmente, uma resolve fazer companhia ao acaso!

E aquele  pedacinnho de pele ali, solicitando uma mordida …



Argumentos óbvios, tais como “não pinte”, “tesoura nelas”, “deixe todas naturais”, simplesmente fazem parte de outro planeta, quando tratamos deste especial prazer feminino.

Prática secular que marca desde o ritual de um povo,   o adereço para uma  festa, o planejado detalhe de um momento de sedução, a boa sensação com a ponta do toque. Ou, para outros,  mais um vício de consumo  escravizando o corpo e o bolso!

Confesso que se por um tempo fui do grupo das desligadas deste  gosto, hoje degusto minhas mãos dedilhando pontas coloridas e dizendo  do tom  que a vida me convoca. Até porque, ir à manicure pode ser  bem mais que cuidar das unhas.

Você até pode fazer isso sozinha. Tem   tutorial, blog, e outras facilidades dos dias atuais. Mas perder a possibilidade de tagarelar entre mulheres e ousar com a arte da pintura de suas mãos??

Seja uma prática antiga, uma mercadoria  ou  um  toque de sedução, o cuidado das mãos pode  estender-se pela conversa da vida que se faz  em  atos cotidianos. Portanto, na loucura dos dias atuais, você tira um tempo para entregar suas mãos. E, ali , decanta o dia, seja no inicio da manhã com tudo por fazer;  no intervalo do almoço e aproveita a dieta; quem sabe, no final da tarde,  para pensar no que  (não)  fez e no que a noite pode oferecer.

Ela chega.
Te recebe  com um minucioso olhar .
Antes das mãos, o humor, pois  esta é a pista para os próximos 30 ou 40 cruciais minutos de duas vidas (…e muitas outras que vão habitar peles, lixas e cores…).

O cuidado das mãos vem acompanhado da oportunidade  para  “curtir” a vida ao vivo, muito  além  do “face” . O   toque pode disparar   uma conversa medida por pequenas dicas que dão  forma para nossas expectativas: cortar, arredondar, mais quadrada, quem sabe mais comprida com artefatos mágicos. E aí vem uma maleta repleta de cores inimagináveis para marcar o impasse: que cor  terão seus próximos dias? 


Tom da cor, tom da conversa.
Noticias  animadoras, outras tristes.
Silêncio.
Tudo que faça deste intervalo um povoado tempo de tagarelar, rir, desabafar, chorar se necessário, pois um ombro estará ali.

Uma advertência: elas são divinamente diabólicas!!
Dia desses,  antes de viajar, a recomendação era vermelho, mas escolhi o famoso branquinho, aquele que elas  cansam de repetir, entre tantas cores maravilhosas que ficam esquecidas. Fui ao destino planejado no  outro lado  do pais. 
Ao acompanhar uma amiga no cuidado de suas mãos, pois  não poderia perder um minuto da   conversa que há muito  não tínhamos,  uma manicure veio pintar minhas unhas. Logo disse  que não seria necessário, ostentando minhas unhas brancas. Ela olhou para minha mão e sentenciou: deverias colocar um vermelho! Alguma dúvida quanto  a  “minha” decisão?


Naquele dia descobri  que minha querida manicure controlava minha vida em qualquer lugar. Chip, GPS, rede social, não sei…
Mas o mais diabólico  dessa artimanha vem agora. A unha que passou do tal  branquinho para o vermelho beijo, entrou na pauta da sedução de um encontro amoroso. 
Pode? Sim, estou nas  mãos dela!!!

A  amiga das mãos adivinha  o tom da cor de nosso dia, seja para afirmar o vermelho, vacilar com nosso olhar e perceber que é preciso ficar com o cinza, enviar mensagens telepáticas para outras terras. Enfim , ela   faz de vontades que desconhecemos um ato de atenção cuidadosa  entre alegres mãos femininas cúmplices.

E como diz a música:
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais[1]


 Parabéns Marion, mar e ion que movimentam moléculas de boas (e fortes!!) energias para navegar uma vida amiga.



[1] De Nelson Cavaquinho “quando eu me chamar saudade”. Na voz de Nina Becker com belas unhas vermelhas! http://www.youtube.com/watch?v=ehbWnsgsXnk

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Falta muito?




 Em viagens com meus filhos, quando crianças, saltitava  a pergunta: falta muito? 
Para dar conta da direção, do percurso a observar e da pergunta  a insistir, passei a organizar um mapa de distâncias. Dividia o trajeto em quatro partes.  Assim,  o tempo deixava de cronometrar e os pedaços da viagem aconteciam. Independente da distância,  importava o enredo dos pedaços de tempo que marcavam  o percurso, pois na intensidade da criança toda sua vida pode estar contida em  poucos quilômetros!


 Bem,   primeiro de  julho chegou, virou a noite trazendo dias de lua  cheia,  e já estamos na metade do ano. Falta muito? Mais seis meses de uma rosa dos ventos que pode ser muito de sul ou  de norte. Quem sabe um pouco de cada, passando também por leste e oeste? A tentativa de definir o destino do vento que produz a vida faz o ar transbordar. Resta  bordar as direções no mapa das vontades e   aprender  os pontos   vivendo.  Assim, enfileiramos  os dias, as semanas e os meses no bordado do destino. 


O pensamento anda e  a parada foi a quilometragem dos anos de uma  vida: 
"4 . falta muito?".  
Dizem que a década dos quarenta indica o meio do caminho. 
A pergunta que parecia obra da infância segue seu saltitar, então, ficamos a  medir o tempo vivido e o que dele fizemos.  A  inconformidade  com alguns  pedaços da viagem  já cumprida e seus  ventos revoltos é desviada nos atos do cotidiano. Ao sair  do trabalho, encontro  uma colega aposentada que permanece  trabalhadora assídua no projeto que acredita e faz acontecer. Convicta de seus pontos de bordar a vida, ela enuncia  a medida  de seu último aniversariar:   90 anos!


Porto Alegre 
O acaso e  suas artimanhas para nos dar respostas. Parece que nada falta, pois podemos muito em um, dois, três ou quatro pedaços de vida. Não sabemos a extensão destes pedaços, mas a intensidade de cada instante é uma escolha. Andamos  atrapalhados com a overdose do que deve e falta ser no trajeto  das expectativas, quando é preciso  estar no tempo para    experimentar a dose de vida  na homeopatia de cada dia.