segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Um fio para guiar a intimidade



Você já imaginou ter o labirinto da intimidade da vida em suas mãos?

Percorrer seus  caminhos com o olhar, vaguear em busca de uma direção e encontrar no toque um fio que guia. Diante da sensação de perder-se, insistir  no movimento do toque e vislumbrar um fio de letras. 

Letras?
Seria um enigma?
Talvez.

Depende de como experimentas o inusitado que move a vida. Para alguns um enigma, pois a experiência de entrega aos movimentos da intimidade pode sinalizar  o medo de encontrarmos o que ainda não sabemos de nós mesmos. Um labirinto.
        E o fio de letras?
Sim! Agora você tem a opção de prosseguir com Labiríntimo, um livro de poesia. 
No toque de cada página a grafia de uma pista que acalenta o passo. A  leveza do papel para  imprimir nosso afago e habitar as sensações na cumplicidade com a poética do autor. A pista de sua obra: acarinhar o que passa desapercebido na aceleração da vida e  habitar as sutilezas  do tempo. Observar a natureza  acalentando o movimento do sol, da lua, da chuva …

       O destino  que nos conduz neste labirinto da intimidade é  a escolha por sorrir de si mesmo e  se acaso a lágrima estiver por perto, sem problemas. Como anuncia Labiríntimo: cada acaso é um caso! Abandone a caixa de lenços e faça da solidão companhia. Afinal,  agora o fio que nos conduz é o gosto pela poesia. Na  busca de um pouquinho de si, mais um passo no encontro com o seu labiríntimo. O pequeno livro não tem fim quando se trata de produzir sentidos, basta deixar a imaginação pulsar!
O autor deste singular mimo?
Nildão

www.nildao.com.br - newdao@ig.com.br






sábado, 18 de janeiro de 2014

A lucidez de Elena


  Recebo a mensagem de que temos mais uma chance para  encontrar Elena em Porto Alegre.
De quem se trata? Eu poderia trazer sua história e argumentar com a trama de sua  vida o porquê deste encontro. Mas prefiro  revisitar  os afetos que permanecem comigo, depois de viver as intensidades  da experiência de um dia que se fez marca no calendário de 2013, mas que me toca sem passar no tempo.  
Numa tarde molhada, andei pelas calçadas que levam à Casa de Cultura Mario Quintana. A chuva era a companhia exata para chegar à sala desta sessão de cinema. Dia para abrir aquela caixa onde  guardamos  vestígios do tempo nas estações dos  afetos: cartas, fotografias, bilhetes, pequenos objetos, diários, imagens que contam  a vida. Um dia feito para perder-se na intimidade de memórias que guiam nossos trajetos   à medida que percorrem o enigma do esquecimento   para receber a visita de nossas lembranças. 
História de Elena sob o olhar da irmã. História da irmã na insistente memória que pousa em  Elena. História delas, tua, nossa. Imagens que ultrapassam uma vida para nos tornarmos íntimos nos sentimentos que percorrem a existência.
Por vezes a sala de nossa casa, o  quarto que nos esconde. Pode ser também a rua onde tantos transitam e entre eles o singular pisar de Elena. A chuva levou os vestígios do passo que marcou o  chão, mas permanece o  movimento de um  olhar que nossa lembrança faz traço no tempo.  E na partida de quem amamos as dores da vida que insiste em prosseguir. Entristeci.
   Um convite para se enredar na sala de um cinema e entristecer? Sem a companhia da chuva e  em pleno sol de verão?
       Talvez.
     Sim, eu senti a dor da tormenta que nos faz  colocar a vida em questão. Dos vacilos que nos dilaceram na lembrança do que poderia ser, mas já foi. Mesmo assim insisto no convite. Encontro  o ato corajoso de fazer do movimento da dor da  própria vida a película da expressão. Ousar sentir com o outro o que se passa na pele de nossos corpos. 
     Triste e  sensível, denso e  afetivo. Transparente na arte de expressar a força que produz a  vida. Corajoso.

O documentário ELENA, de Petra Costa, terá cinco sessões – entre os meses de janeiro e fevereiro de 2014 – no Cine Santander Cultural, em Porto Alegre.