domingo, 14 de julho de 2013

Crescer



Ele chegou habitando um  olhar diferente, acompanhado de palavras que saltitavam, aqui e ali, para contar sua história. 

Falava de seu entusiasmo ao perceber  o brilho de um  olhar de criança naquele que conquista o que almeja. 

Na cena de sua afetiva lembrança o outro estava sentado na escada  da casa,  a observar sua conquista, com um sorriso que contagiava o ar. 
Ia e vinha para tocar o presente, trocar de lugar e se convencer de que era seu!

Mas o que teria de tão especial uma cena corriqueira de quem se presenteia com algo muito desejado? 

Ao escutar a história encontro a beleza do tempo que movimenta a relação entre  filho e pai. Não era o pai que falava da alegria do filho,  mas o filho que observava no  pai a presença do  brilho da infância que faz do  sonho uma realidade. 

O atento olhar ao que  acontecia com o pai enunciava que o filho adolescente já  estava a movimentar-se na adultez que começava habitar sua própria vida. 
O necessário jogo de inversão,  entre  lugares e olhares, para crescermos guiados pela  descoberta de que  continuaremos a sonhar  e a brincar com o  presente que conquistamos. 



domingo, 17 de março de 2013

Uma turma borbulhante




A semana segue dia após dia  e o tempo de parada escapa.
Tempo de olhar o vento tocar o corpo.
Tempo de escutar a tristeza da ilusão de  um amor.
Tempo de rir desta complicação que inventamos para dizer  "quero ser feliz".
Tempo de tempo!

Então,  ela decidiu que não esperaria o dia “certo”.
Aquele era o dia de esconder o tempo na companhia de uma espumante sem  a agenda do dia seguinte ou os ares do bafômetro!

E sentenciou às amigas: 
"quando a noite pousar,   o relógio marcará a hora de degustar  a bebida borbulhante, os sabores picantes e doces do que a geladeira guardou, e o ritmo das  vozes amigas ..."

Veio a chuva , o vento, a noite sem estrelas,  e elas!
 Chegaram com o riso das andanças  pela cidade misturado aos alegres sons musicais que as esperavam. Sem vacilar deliciaram  o tempo escondido e inauguraram a casa que se apresentava com  imagens de uma história de vida. As rolhas saltitavam  felizes com a magia de fazerem o ponteiro do tempo parar e os cristais aguardavam ansiosos pelo toque daquelas bocas excitadas.

Política; amores; trabalhos desejados; utopias vacilantes;  seduções; e tudo mais que lábios  femininos tão bem sabem musicar no embate da vida que não para. As falas se faziam de  histórias que diziam de um lugar amoroso. A amizade tocava a pele com ternura, fazendo dos  desalentos do amanhã um arrepio que passa. 

A leveza do encontro celebrou uma turma borbulhante.
 E tudo indica que as matrículas continuam abertas ...